Bem, eu disse que postaria um começo aqui. Então, aqui está. É só um começo. A parte que eu menos gosto de escrever, porque eu preferiria pular direto para a ação. Deixem sugestões e críticas nos comentários. Vou adorar ouvir o que pensam.
Pode parecer um pouco longo, mas, sério, digitei só 3 páginas com fonte 11 no Word.
CAPÍTULO 1
- Noelle! - ouvi a governanta Victorine bater na porta - O senhor Raupp acabou de telefonar e pediu para que a senhorita vá buscá-lo hoje.
- Oui, Vic. Oui.
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Ouvi seus passos se afastarem e comecei me ajeitar. Lavei-me e entrei no closet para escolher uma roupa. Aproveitei que o dia parecia caloroso e pus um vestido simples, na altura do joelho e todo preto com um cachecol branco. Antes de sair do quarto dei uma olhada no espelho, eu gostava de minha aparencia. Com cabelo loiro e longo, a pele clara e os olhos claros entre um o verde e o azul, minha nacionalidade alemã era impossivel de ser negada, apesar do nome francês.
Fui para o corredor e antes de descer as escadas de mármore bati na porta do quarto de minha mãe, Fleur von Reisswitz, entrei e a vi sentada em frente ao espelho. Minha mãe era uma mulher incrivelmente bonita. Ela era modelo desde os 17 anos e agora, com 38 continuava sendo muito requisitada para estrelar campanhas publicitárias. Principalmente na França, mesmo ter escolhido morar na Alemanha comigo.
- Mãe. - chamei.
- Meu amor, como vai?
- Bem. Já estou indo para o colégio, só queria saber se a senhora vai viajar hoje. Gostaria de ir para a casa do Markus.
Ela virou para mim e sorriu, apenas sorri de volta. Ela sabia o quanto eu era amiga do Markus Raupp. Tínhamos crescido juntos e fazíamos quase tudo juntos, ainda que ele fosse quatro anos mais velho e não estudava mais no colégio junto comigo. Mamãe levantou e sentou-se na cama para terminar de calçar os sapatos.
- Bem. Sim, eu estou pretendendo ir à Itália para tratar de algumas coisas, mas você sabe que pode ficar a vontade para ir visitar o Markus. Mande lembranças. - ela disse e me dispensou do quarto com um aceno.
Sai e desci com pressa ao ver o relógio marcar 7h. Passei pela sala indo direto para a cozinha. Estava vazia e sem nenhum empregado para observar que eu não tomaria um café-da-manhã direito. Peguei uma maçã em cima do balcão e abri a geladeira prateada, que combinava com o resto da cozinha impecavelmente limpa.
Sai pela porta de trás direto para o jardim. O jardim era meu segundo lugar preferido na casa, grande, verde e frequentemente quieto. Eu não estava atrasada, mas, se pretendia pegar Markus era melhor chegar cedo a sua casa, visto que ele não era muito pontual se não houvesse alguém gritando seu nome. Olhei para meu relógio de pulso e vi que o ponteiro maior já estava se arrastando para o cinco.
Corri para a garagem, que era um grande cômodo à parte. Apertei o botão, esperei uns segundos para abrir e entrei assim que deu. As luzes acenderam automaticamente com a minha presença e pude ver os carros que mantínhamos. Eram quatro belos carros, um era só meu, um só da minha mãe e os outros eram “da casa”.
Mamãe mantinha uma clássica Ferrari, não um dos mais novos modelos, mas sem dúvida era muito bonita; eu tinha pedido a ela, porém recebi um sonoro não. Dois eram simples Mercedes pretas. Então estacionado na ponta da fila, meu carro. Nada que fosse magnífico, mas uma BMW grafite muito bem cuidada. Os poucos anos que vivi com meu pai, que era designer, ensinaram-me a conhecer e apreciar um bom carro.
Peguei minha chave e entrei no carro, jogando minha mochila no banco traseiro. Desci todos os vidros e dei partida. Mantive a velocidade baixa enquanto atravessava o terreno, mas assim que sai pelos portões acelerei até ver a velocidade oscilar entre 70 e 80 km/h. A melhor parte de morar em uma casa longe da cidade mínima era o percurso até ela.
Voltei a diminuir a velocidade apenas ao alcançar os primeiros sinais de cidade. Dobrei algumas esquinas e cheguei a uma casa de aspecto primaveril. Estacionei na frente e desci. Apertei a campainha por sete segundos seguidos, soltando quando ouvir um palavrão do outro lado da porta. Em mais três segundos depois ele abriu a porta.
Markus ainda estava enrolado na toalha quando me puxou para dentro e fechou a porta, trancando-a logo em seguida. Ele me olhou por um instante enquanto eu assimilava a ideia de ele ter me puxado com força e provavelmente meu braço ficaria vermelho. Assim que me ajustei a situação olhei para seu rosto e disse:
- Bom dia, Markus.
- Bom dia, Noelle. – ele ficou quieto por um instante como se procurasse algo a mais para dizer. E quando encontrou me deixou corada – Você está linda hoje.
- Obrigada. Eer... Você está atrasado. Vá se vestir.
Ele acenou e saiu do cômodo. Realmente eu não precisava dessa tão cedo da manhã. Sacudi a cabeça para tentar esquecer o pensamento. Não esperei que desse certo, mas toda tentativa é válida. Joguei-me no sofá da sala e peguei um livro que estava na mesa de centro. Era uma versão de Drácula, de Bram Stoker.
Eu meio que ri ao ver o título. Markus não era de ler nada mais que o necessário, logo Drácula era muito estranho de se ver. Joguei o livro de volta ao lugar e deitei no sofá, como se fosse dormir. Não deve ter passado mais de 10 minutos, mas parecia que eu tinha descansado mais ainda.
- Se você vai dormir agora, pode ir para minha cama. Eu não estou mais com sono. – ouvi a voz de Markus rir por perto.
Levantei e alisei meu vestido. Andei em direção à porta empurrada por ele, saímos e assim que ele trancou a porta, voltou a me empurrar para o carro. Entrei sem olhar muito em volta. Dei partida e ouvi as folhas secas levantarem junto com o ponteiro de meu velocímetro.
- Ouvi dizer que aquela casa próxima a sua foi comprada, Noe. Por um cara estranho.
- O que? Acha que ele é um vampiro? – lembrei do livro na sala e disse, fazendo piada.
- Ha-ha-ha. Estou lendo aquilo por que estou interessado em uma certa garota.
Certo. Eu tinha mais motivos para tentá-lo.
- E essa garota é uma vampira? – perguntei tentando manter minha voz séria para provocá-lo.
- Noe, pela primeira vez em muito tempo eu estou gostando de uma garota de verdade. Você não vai consegui me fazer pensar que não vai dar certo.
- Ok. Só estava falando. E é claro, sem reclamar que para você eu sou de mentira.
- Eu falei de garotas que gostei. Eu odeio você.
Virei o volante bruscamente para a esquerda, fazendo Markus bater a cabeça no vidro. O barulho foi alto, então olhei rápido para assegurar que o vidro estava inteiro.
- Você é doida? – ele gritou.
- Não grite - reclamei – Machuca. E você está errado em não ter posto o cinto de segurança.
Ele notou e ficou calado por um instante, mas logo reclamou:
- Você não está com cinto.
- Eu não perdi meu carro em um acidente besta, que só causei porque dei atenção a uma moça passando na rua. O que significa que sou uma motorista mais atenta, consequentemente, melhor. - falei o mais rápido que consegui, o que foi muito.
Ele não pode falar mais nada. Freei e desliguei o carro pouco antes de chegarmos na pequena Universidade que tínhamos, que estava mais para um colégio que oferecia cursos para ex-alunos. Markus não gostava muito de aparecer de carona com uma garota mais nova que ele. Eu não gostava nem um pouco de pessoas me olhando estranho.
Assim que ele desceu e fechou a porta eu girei a chave, mas Markus bateu vidro e acenou para que eu abrisse. Apertei o botão para o lado o motorista, ele bufou, mas deu a volta.
- Olha. Eu acho que seu vizinho vai visitá-la hoje. Sabe como é, cortesia. Bem... se cuida. Eu sei que tínhamos combinado de ficar lá em casa, mas tente ser simpática. Sua mãe está embarcando para Roma hoje e vai ser muito bom se não fizer besteira.
- Como você sabe que mamãe vai viajar.
- Twitter. - ele respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo. - Thau, loira. Te amo.
- Eu sei.
Ele se afastou e eu pude sair. Não entendi muito o discurso, porém não tentei desvendar nada. Ele sabia que eu tinha novos vizinhos, logo, já os conhecia. Segui tranqüila até a escola. Estava tudo normal com as pessoas, o clima e as rotinas então só deixei-me levar pela corrente. Ninguém precisa fazer coisas grandiosas todos os dias.
Mais algumas pessoas sabiam do meu novo vizinho e por elas cheguei a algumas informações. Homem, ruivo, sotaque irlandês e chegado na manhã do dia anterior e tinha passado o dia todo na cidade, conhecendo o lugar. Isso explicava o porquê de todos o conhecerem, menos eu. Uma desvantagem em morar fora da cidade.
Quando acabou as aulas, passei em um restaurante e comprei algumas coisas. Fui para casa e, depois de almoçar, deitei um pouco no sofá em frente a TV. Estive imóvel, vendo as luzes piscarem imagens absurdas. Distraída, pulei quando a campainha tocou e Vic passou correndo para atender, acenando para eu sentar direito.
Ouvi a voz dela recepcionar a visita e segundos, eles entrarem na sala. É. Meu vizinho demonstrava cortesia.
- Sr. Westendorff, esta é Noelle, filha da Sra. von Heisswitz. Noelle, este é nosso novo vizinho. O Sr. Westendorff.
Meu rosto sorriu educadamente enquanto meus pés nos aproximavam e minha mão levantava para um aperto.
- É um prazer conhecê-lo Sr. Devo confessar que não sabia que teríamos uma visita e um vizinho. Gostaria de ter preparado algo.
Victorine acenou com a cabeça aprovando minhas palavras e gestos por trás do homem.
- Não precisaria, senhorita.
- É uma pena que minha mãe teve que trabalhar hoje. Ela apreciaria muito sua presença. Vic, será poderia, por favor, nos trazer uma bebida quente, sim? – ela sorriu para mim e saiu. Eu apontei o sofá para o Sr. Westwendorff oferecendo assento. Ele sentou e reparei que nós dois soltamos o ar pesadamente ao mesmo instante.
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